sexta-feira, 8 de abril de 2011

Em cheque



 



Minha alma é chocolate
Meu coração sangra em escarlate
Minhas mãos — violeta
Tenho pele, pêlos
E falta de costumes costumeiros
Oh, ser tão contraditoriamente inamável!
Inenarrável.
Inalterável.
Ou alterável, pois sim.

Meu cheiro — enxofre
Meu sabor ativar-lhe-á as papilas
 
Sou o veneno.
A linha tênue
A esfera que a corta?
Pois, como assim?
Em minhas mãos existem a arte.
A arte de contradizer-se por si só.
 
Tão corriqueira quanto o fogo
Que queima-lhe os jornais
Durante as tardes de Sol
Em que nada se faz
Além de lamentar
 
Sussurros, talvez.
Mas tão diluíveis quanto à água.
Sou apenas mais uma gota
No rio de lagrimas que és o oceano.

Duda Carvalho