Minha alma é chocolate
Meu coração sangra em escarlate
Minhas mãos — violeta
Tenho pele, pêlos
E falta de costumes costumeiros
Oh, ser tão contraditoriamente inamável!
Inenarrável.
Inalterável.
Ou alterável, pois sim.
Meu cheiro — enxofre
Meu cheiro — enxofre
Meu sabor ativar-lhe-á as papilas
Sou o veneno.
A linha tênue
A esfera que a corta?
Pois, como assim?
Em minhas mãos existem a arte.
A arte de contradizer-se por si só.
Tão corriqueira quanto o fogo
Que queima-lhe os jornais
Durante as tardes de Sol
Em que nada se faz
Além de lamentar
Sussurros, talvez.
Mas tão diluíveis quanto à água.
Sou apenas mais uma gota
No rio de lagrimas que és o oceano.
Duda Carvalho

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